LA LUNA EN TI: Documentário dirigido por Diana Fabiánová

12:41



   La Luna En Ti, de tradução "A Lua Em Você", é um documentário dirigido por Diana Fabiánová e mostra como são tratadas as faces "boas" e más" da menstruação em alguns lugares distintos do mundo, onde a menstruação é bem recebida e falada e onde não é, justamente pelos conhecimentos mistificados que foram acrescentados com o passar dos séculos, trazendo esse tabu para uma conversa bastante interessante e direta com intuito de mostrar a naturalidade da natureza feminina e do próprio corpo humano. 
   Trazendo especialistas nesse assunto e estudantes que mal compreendem essa realidade, o documentário aborda diversas ideias a respeito do tema e também mostra que esse tabu está sendo superado aos poucos, mas que ainda é muito pouco falado seja para e pelas mulheres quanto para e pelos homens, onde até a palavra "menstruação" é mal interpretada ou evitada por muitos.
  A ideia é trazer não somente o tabu que é menstruar e estar menstruada à tona desmistificando-o, como também informar a respeito desse ciclo e dos fatos científicos, abordando a questão de gênero e dos papéis sociais instituídos ao gênero feminino a partir da privação do conhecimento do próprio corpo e dos conhecimentos místicos e sagrados atribuídos ao sangue menstrual e ao próprio ciclo feminino que ficaram encasulados na antiguidade, não dando abertura para debates abertos e diretos a respeito da questão.
 Uma coisa muito interessante que é falada durante o documentário é que foi comprovado cientificamente que os homens também sofrem de alterações hormonais como as mulheres e que somente na mulher isso é tão evidente, justamente pela sangria do período menstrual, enquanto que no homem isso não é notável. 
   O documentário mostra também que na antiguidade o corpo feminino era tratado e visto de forma diferente, desenhado, pintado, esculpido por muitos artistas o corpo feminino foi vangloriado, e hoje nada mais é do que um contexto histórico antiquado e muitas vezes considerado luxurioso. Na antiguidade ensinavam as mulheres à adorar e a manusear seus próprios corpos e hoje ensinam a esconder.

"Religião, ciência, política, corporações internacionais... Parece que todo o mundo tem interesse em nos fazer estar ou ficar insatisfeitas com nós mesmas. Será possível escapar dessas normas impostas das propagandas?"
Questiona o filme/documentário
  Durante as entrevistas feitas nas ruas de Londres para as filmagens (são mostradas no documentário), foi perguntado a homens o que eles acham sobre menstruação e se queriam experimentar menstruar caso isso fosse possível, muitos riem e continuam andando, outros ficam desconfortáveis e tímidos, muitos se perguntam se é realmente aquela palavra que a outra pessoa quis dizer e pedem para fazer a pergunta novamente por estarem desconcertados ou não acreditarem no que eles ouviram.
   Muitos dos entrevistados responde a pergunta "Você gostaria de experimentar estar menstruado por um tempo se isso fosse possível?", com "não", "não, estou satisfeito em ser homem" e incrivelmente um deles diz que seria uma ótima oportunidade para saber como as mulheres se sentem, mas ainda assim sente repulsa pelo sangue.
   Acontece que a própria palavra "menstruar" ainda causa desconforto, não só para os homens que não vivenciam e que deturpam a TPM e a menstruação o tempo todo com piadas e com conceitos de senso comum bastante preconceituosas, quanto para as mulheres que vivenciam isso desde novas que são inseridas nesses conceitos deturpados e mistificados, levando-as para longe do entendimento de seus próprios corpos e de seu próprio poder.
"[...]Mantiveram as mulheres "aleijadas" do entendimento da força da menstruação e do poder da fraternidade que é ser mulher, é possível que seja a mais grande, a mais fundamental, profunda... [...] Está ligado a tudo, está ligado ao nosso potencial como seres humanos!"
Comenta Chris Knight (Catedrático de Antropología da Universidade de East London)

   É muito bacana que Diana se preocupou em nos mostrar uma grande realidade de nossas vidas! No tempo 29:07 do documentário, é falado sobre "menstruar azul" e ressaltado: "Que decepção! Meu sangue não era azul, era vermelho!", onde nos é mostrado desde pequenas aqueles líquidos que são despejados nos absorventes dos comerciais e propagandas de absorventes a força do produto em resistir a qualquer vazamento, nos fazendo crer que menstruar é limpo, é azul, não tem cheiro nem sangue, nem vazamentos...  Além de nos trazer o grande dilema das manchas de sangue nas calças, pelo qual toda menina e mulher já passou!

   A preocupação em trazer uma imagem de limpeza e ocultar as informações reais do ciclo menstrual faz a industria de higiene feminina crescer, essa indústria financia um desenfreado consumo de absorventes, produtos de higiene feminina e um padrão de beleza inexistente.

   Os produtos de investimento das indústrias prometem conter o cheiro "ruim", vazamentos. tentando passar uma imagem de limpeza exagerada, desenfreada e desnecessária sobre uma questão natural, reforçando todos os dias o tabu da menstruação e deturpando um contexto que antigamente foi sagrado.

   Foi perguntado as mulheres entrevistadas se elas gostariam de deixar de menstruar, a grande massa diz que sim, que se pudessem ter filhos mesmo sem menstruar isso seria uma opção. Muitas foram em busca que remédios que pudessem cessar a menstruação pelas pelas dores e pelo desconforto de lidar com o sangue... Mas, será que essa é uma boa escolha? O que pode provocar essa interrupção de um ciclo natural e necessário, que danos pode trazer? Que melhorias trazem?

   Segundo o médico que foi entrevistado não há nada de natural nesse processo porque na natureza poderia ser um grande equívoco, atraindo predadores e que nenhum animal fica tanto tempo sangrando sem morrer, dizendo que a menstruação muitas vezes é a causa de enfermidades... Que para a religião esse estado seria uma criação do demônio e não de Deus, e o médico diz "estou de acordo!". Ele fala que não há sentido em expelir o sangue como não há sentido em abortar, porque após o aborto espontâneo a mulher sangra cinco dias como se estivesse menstruando e que sendo comparável, são desnecessários, pois não geram vidas...

"A menstruação poderia ser tão prejudicial à saúde da mulher?"
Questiona Diana

   Diana Fabiánová aborda "El Tabú de La Menstruación", traduzido como "O Tabu da Menstruação", em uma palestra que pode ser vista no vídeo abaixo na íntegra, já o documentário na íntegra está em https://vimeo.com/34216239. Beijos!

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