O tabu da masturbação feminina

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   Nós vemos muitos sites direcionados ao público feminino abordar a masturbação, sempre pautando é claro a ideia de que a masturbação não é tão comum para as mulheres e que baseado no fato de que a igreja foi e ainda é dona de nossos úteros, qualquer coisa relacionada à masturbação e ao gênero feminino é motivo para caretas de nojo, olhares indiscretos de repulsa e outros sintomas epidêmicos do discurso de que as mulheres não podem ou não devem se submeter aos desejos e vontades e nem mesmo aos seus próprios corpos. 

   Eis aqui um segredo de Estado: Mulheres também se masturbam!

[...] Mas, e isso é um fato, para muitas mulheres a masturbação precisa de encenação. O homem pega a revista masculina mais próxima e começa a se tocar de qualquer jeito, enquanto encara fotos de mulheres despidas [...] A masturbação feminina é diferente. É delicada, sutil. É quase como uma dança. Você tem que descobrir os passos que funcionam para você, decorá-los e repeti-los como uma coreografia. [...]" 
 4 Semanas de prazer, pág. 4.

    A uns meses atrás tive a oportunidade de ler um segundo livro erótico que traz um trecho que me trouxe maiores reflexões sobre a real diferença sobre a masturbação masculina e a feminina, não pelo fato de que homens se masturbam livremente sem qualquer pudor e fazem questão de gritar isso aos quatro ventos, mas pelo fato de que há sim grandes diferenças e que para muitas de nós ainda é um mistério. Partindo do principio de que a sexualidade feminina sempre foi um tabu e qualquer coisa relacionada à nossos corpos é tido como algo nojento e asqueroso, muitas mulheres não sabem como se tocar ou mesmo sabem que podem se tocar. É realmente muito triste que isso aconteça ainda hoje, já que o auto conhecimento é necessário para que possamos então conhecer outras pessoas e nos permitir sentir prazer.

   Nossos corpos desde muito tempo serviram somente para objetificação. Mulheres em filmes pornôs gozam seco, mulheres menstruam líquido cheiroso e azulado, corpos lisos como os de um bebê sem qualquer vestígio de pelos pubianos. Muitas mulheres nunca sentiram um orgasmo na vida e se sentiram não sabem dizer como e/ou qual a sensação.   

  Qualquer manifestação da nossa sexualidade é motivo para uma repressão, aonde exista qualquer sinal de prazer da mulher tem que ser direcionado ao falocentrismo do "homem macho", qualquer parte do corpo da mulher é um vestígio de sua sexualidade severamente reprimida e disso entendemos o quão machista é o mundo em que nós vivemos, olhando os papéis que interpretamos dentro de todo o contexto social, ora como mãe e dona de casa, ora como atriz de filme pornô, ora como mulheres nada inteligentes que usam seu corpo para atingir altos níveis de audiência em programas de tv, ora como vadias consumidas pelo ódio da ideologia feminista que prega a matança e mutilação dos homens, quando na verdade esses "homens macho" nem mesmo sabem diferenciar feminismo de femismo e uma vagina de uma vulva e clítoris. 

  Nós temos uma mídia machista que aborda somente corpos, que não abre espaço para trabalhos inteligentes e não acho que mais um trabalho igual ao que temos por ai nos seja útil e interessante, ainda mais porque a ideia seria conscientizar e informar e não contribuir com ideologias que agridem, matam, distribuem preconceito e proliferam a objetificação de seres humanos.

   Mulheres se masturbam! Mulheres precisam se conhecer, chegou a hora de deixar a cortina cair


"Quando eu descobri o que era masturbação e o quanto me culpei por tal ato, por noites em que fui dormir chorando por ter cometido um pecado e que meus pais não deveriam se orgulhar de mim, porque não era certo o que estava fazendo, até que uma mulher na igreja (minha catequista) disse que adolescentes que se masturbavam ou eram gays ou lésbicas, e então eu entrei em choque... e passei a desconstruir tudo aquilo que eu entendia como certo ou errado. A masturbação feminina continua sendo um tabu assim como todas as questões que envolve a mulher, é foda viver nessa sociedade patriarcal onde o falo é totalmente aplaudido, santificado digamos assim, enquanto nossas flores são apenas deixadas à margem e ridicularizadas..." 
Lê (coautora do blog Gênero Proibido)

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