DE PAIS PARA FILHOS: Conversa sobre Pássaros&Abelhas

22:16


"O importante, no fim das contas, é falar sobre sexo com nossos filhos muito mais para que eles estejam protegidos contra abusos. Muitas vezes a criança não relata um abuso porque não sabe muito bem o que está acontecendo, só sente que é errado". 

   Durante a madrugada vi um vídeo no site Yahoo! Mulheres, onde os pais contam a seus filhos como é de fato a relação entre o homem e a mulher e como é gerado um bebê, no caso, as crianças que aparecem no vídeo, os filhos. A autora do texto que traz o vídeo, comenta sobre a maneira que os pais usam para abordar o assunto, questionando o leito principalmente a respeito da naturalidade em falar sobre o assunto: "Se o sexo não é algo natural para o adulto, como ele vai transmitir isso para a criança naturalmente?". Acontece que a nossa sociedade, independente de que pais estamos falando, é uma sociedade tremendamente machista, coisa que nós já sabemos — ao menos deveríamos saber. —, onde é tabu falar sobre sexo abertamente e livremente, em falar desse assunto com crianças então, ah, nem se fala! É um absurdo, uma verdadeira falta de bom senso. Tá, mas nos esquecemos de que essas crianças futuramente serão adolescentes e então adultos.

   Não esclarecer os pontos quando temos a chance no controle e criação, é deixá-los livre e a mercê do mundo, dessa forma foge do nosso controle como adultos desmistificar as relações entre mulheres e homens seja ela uma relação sexual ou não, eles então optam por descobrir por si, e ai a questão começa a ficar perigosa, afinal, eles vão testar sozinhos e isso pode não ser bom quando não se sabe qual o funcionamento. E aí temos meninas engravidando muito cedo e garotos sendo pais, garotos e garotas perdendo a juventude e oportunidades, mães tremendamente novas que não tem o pai da criança ao seu lado, já que não há maturidade, menos ainda responsabilidade e então essas crianças com pais novos e inexperientes terão filhos mais inexperientes ainda, por isso cabe ao adulto ensinar e mostrar a naturalidade de tudo isso, gerando então o conforto e liberdade.

   Falar sobre sexo ainda é tabu, falar sobre adolescência também, falar sobre opções femininas: nem pensar e virgindade? Esquece! Tudo isso porque fomos negados à nossa natureza, ao nosso natural. É importante entender que o ser humano é um ser sexual, ele não exerce a sua sexualidade somente para a reprodução, mas para satisfação, isso é errado? Lógico que não! Primeiramente porque não somos animais irracionais que fazem filhos igual a coelhos, segundo porque sem educação, não vamos a lugar nenhum. Educação sexual é trazer informação sobre os órgãos, os gêneros, a biologia humana, a reprodução e o desejo carnal: líbido. Naturalizar essa questão é deixar o ser humano livre para o entendimento, afinal, como uma mulher vai ser mãe sem saber que o ponto G é uma mentira, ou que ela pode ter um orgasmo e nunca teve um porque não se masturbou e não sabe que ali existe um botão mágico chamado clítoris, ou mesmo se não sabe qual buraco é o quê, acreditem ou não, mas tem mulher que não sabe nem o que é a vagina, nem como ela funciona. Como uma mulher fica grávida sem saber sobre ovulação, sem saber sobre espermatozoide? É essa a grande questão em sexo ser tabu: todos fazem, todos irão fazer, todos devem sentir e todos precisam entender.

    Em relação ao assunto ser polêmico, se tratando de educação sexual para menores de dezoito anos, é importante entender que temos menores de dezoito anos que sabem sobre sua sexualidade de forma inconsciente, afinal, eles sentem aquele órgão como sentem um braço, uma perna..., e eles precisam saber. Acredito sim que é super importante esse "jogo" aberto entre pais e filhos, essa intimidade, desde que a criança se sinta confortável em saber, por que uma hora ela vai perguntar. É claro que haverá espanto, porém, como Freud diz em sua teoria da sexualidade infantil, muitos já estão tendo contato com as diferenças biológicas em relação aos sexos, meninos e meninas convivem juntos o tempo todo, se não é na rua, é na escola, se não é na rua e na escola é dentro de casa com irmãos, primos e até mesmo mãe e pai, cujas diferenças são notáveis. É nesse momento, da convivência, em que a curiosidade começa: "por que fulana tem o cabelo grande e eu tenho cabelo curto?" então a resposta será "ela é menina e você é menino", e ai então a dúvida: "O que nos difere além do cabelo? Porque sou menino e ela é menina?". Desde a barriga da mãe, há este contato sexual, essa intimidade, onde uma criança do sexo masculino já formado no útero de uma mãe do sexo feminino, por exemplo, pode sentir o pai do sexo masculino por perto ou a tocar a mãe, compreendendo que não haverá entendimento sobre ambos mas que é possível que haja essa troca de "sensações", um abraço ou beijo e etc., é provado que a criança dentro do útero sinta o ambiente externo a partir das emoções e sensações da mãe.

   Não podemos esconder a sexualidade de uma criança acreditando que ela vá se tornar ativa por saber, ao contrário, ela estará disposta a conhecer de fato e não a praticar, por que ela vai saber lidar com aquilo de forma natural, não vai ser algo absurdamente novo que despertaria muita curiosidade, ela já sabe do que se trata. É importante esclarecer à criança sobre isso, porque ela vai questionar, ao contrário do que pensamos, crianças entendem e observam, e nós devemos tratá-las como iguais, isso não é tirar sua infância (negar a ela o brincar, aprender e socializar), nem mesmo tirar sua ingenuidade (com toque, carícia, amostras sexuais), nem mesmo considerá-las ingênuas e infantis, porque elas entendem, desde que, obviamente, ela esteja disposta a ouvir e esteja confortável, pois não adianta forçar um assunto que pode ser abstrato demais para ela, como por exemplo, a relação por si (o ato). É importante saber falar e quando falar.

"A verdade é que crianças nos surpreendem e podem saber muito mais do que a gente espera. Ou encontrar metáforas muito melhores do que as nossas para explicar o que nos trava. Se o sexo não é algo natural para o adulto, como ele vai transmitir isso para a criança naturalmente?" —  https://br.mulher.yahoo.com/

    Como em toda e qualquer lista de comentários em sites e blogs, sempre vemos opiniões diversas a respeito das postagens, nessa não foi diferente. Alguns indignados com a conduta, outros comentando a respeito da "perca" da ingenuidade e principalmente a respeito a irresponsabilidade dos pais, mas, seria mais irresponsável dar à criança e adolescente o conhecimento ou deixá-lo descobrir sozinho, estando propício a pegar doenças, engravidar (homem e mulher), a sofre algum tipo de abuso sexual, entender sobre seu sexo e o funcionamento deste e etc.? Quando Freud abordou o tema da sexualidade infantil, todos contestaram — como ainda contestam, e é possível ver isso nos comentários das pessoas e até na reação delas, em pleno ano de 2015 — sobre a sanidade dele. Qual "louco" poderia insinuar que uma criança sabe sobre sua sexualidade, sabe que ela está ali e que ela funciona, mas não entende, não conhece e não sabe como funciona? Freud, o pai da psicanálise. As coisas mudaram? Não, continuamos com os mesmo tabus sem decidir para onde é que vamos.
   
 Lendo alguns comentários no site, decidi respondê-los aqui no blog sem dar muita ênfase, mas para esclarecer, quem sabe, melhor algumas ideias de senso comum:

"UM BANDO DE PAIS IRRESPONSÁVEIS!!!!!!!!!!! AO MEU VER, ISSO É DESTRUIR PARTE DA INFÂNCIA , NÃO PRECISA DISSO." 

R: A irresponsabilidade está na negação da informação, afinal, ninguém nasce sabendo! É preciso saber falar e quando falar, por isso cabe aos pais abordar esse assunto que ainda é delicado, por ser um tabu em relação social, pois possuem mais intimidade e mais conhecimento sobre a criança ou adolescente, por esse motivo é importante que os pais estejam presentes, para ter essa relação aberta, porque se eles não aprendem em casa, aprendem na rua e deixar seus filhos à mercê do mundo é a maior irresponsabilidade que se pode ter, já que quem deve educar e criar é aquele que deu vida. Não concorda?

"Tira a inocência da criança... Até os 7 anos nem pensam nisto. São inocentes no sentido absoluto. Tudo tem seu tempo e acontecer naturalmente. Informação sim, mas na adolescência. Não tem pq tirar a inocência da criança, quando o tempo dela é para brincar e aprendizagem."

R: Uma criança aos sete anos de idade já entende perfeitamente a sua sexualidade, já sabe que há diferença entre João e Maria, mas ainda não sabe de que forma isso funciona. A inocência de uma criança está justamente na naturalidade dela e as vezes, dependendo da criança, o tempo é aos sete anos de idade quando descobre que sente prazer. Como isso acontece? Leia Freud.

"Que besteira, tudo tem seu tempo, as coisas tem que ser natural, assim vc acaba mexendo com a mente da criança e confundindo mais ..."

R: De fato, somos seres únicos e individuais e cada um de nós temos nosso próprio e precioso tempo, mas a naturalidade está justamente no que não é deixado para lá. Considerando que uma criança entende seu sexo, embora não saiba nada a respeito do seu funcionamento (...embora muitas já saibam que se tocar no órgão gera alguma sensação até então desconhecida...). Pode de fato confundi-la, por isso o mais interessante é deixá-la confortável e observar se ela está entendendo de fato ou não e principalmente o nível de interesse, que não deve ser desprezado pelo adulto, crianças parecem não entender nada, mas entendem.

"Poupem as crianças das questões mal resolvidas dos adultos."

R: De fato são questões mal resolvidas: a sexualidade não natural, a homofobia entre uma série de verdadeiros  "pecados" que cometemos ao decorrer dos séculos à nossa naturalidade. E é exatamente por isso que devemos desmistificar esse tabu e deixar uma criança e adolescente confortáveis com esses assuntos, afinal, eles se tornarão adultos algum dia e a ingenuidade provavelmente tende a acabar, a não ser que os pais os privem de conhecimento, ai talvez a ingenuidade permanece, como por exemplo, pessoas homofóbicas que não conhecem nada a respeito do assunto que também é um tabu e quer crucificar qualquer indivíduo por sua sexualidade explicita ou não, isso chamamos de ignorância, mas pode ser chamada de ingenuidade, ou burrice, quem sabe?

"Pra quê isso?! Desnecessário."

R: Para desmistificar, conhecer, derrubar tabus, criar novos adultos bem informados. Na verdade é tão necessário quando um adulto saber sobre sua própria sexualidade e exercê-la livremente. 

"Hj em dia cada vez mais as crianças estao vivendo como adulto ,isso ta estragando . a melhor fase da vida e a infancia no meu ponto de vista."

R: O nome disso é "adultização", e sim, é abusivo. A mídia tem colocado padrões infantis e nem sempre infantis mas que as atinge, o nome disso é "mídia" e é um verdadeiro crime, ao menos deveria ser (deve!), estraga sim a infância da criança e as deixam adultas fora de hora, isso é um fato importante a ser discutido. 



  É provado, portanto, que o abuso sexual está ligado principalmente a falta de informação, como a criança pode relatar um abuso se ela nem mesmo sabe o que é um abuso? Isso acontece porque falar sobre sexo é um tabu, ainda é tido como algo ilegal e imoral que ofende. Precisamos desmistificar essa questão, principalmente para crianças e adolescentes, que estão em uma fase de descobertas. Descobrir seu sexo é tão natural, quanto dar à eles esses papéis, como um menino saberá o que é ser menino se ele não sabe o que o difere?

  Sempre será melhor a conversa franca dos pais com o filho, do que a televisão sensacionalista, os jornais polêmicos, as vizinhas homofóbicas e racistas, os vizinhos machistas que faltam com respeito desconhecidos, os parentes que perguntam sobre os namorados a cada passagem de ano, religiões que pregam a pureza da mulher e liberdade do homem libertino, o assassinato de mulheres por adultério nos países árabes, as relações sociais na escola, faculdade e trabalho que trazem festas, drogas, sexo e etc., a mãe e o pai que mal se tocam ou se olham num casamento conturbado e sem amor, relações homossexuais... E uma série de coisas as quais podem ser acrescentadas nessa lista, sempre será melhor o "jogo" aberto, do que a facilidade em privá-lo do conhecimento e da opinião. É melhor trazer seus filhos para perto e conhecê-los do que deixá-los distantes e não conhecê-los. A questão é "Não adianta punir o homem, se não educou a criança".

   Antes mesmo de ensinar a criança e educá-la, é preciso educar o adulto.

Fonte de informação: https://br.mulher.yahoo.com/

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