ENTREVISTA SAHR: Ilustrações e girl power

11:43


   Olá meninx, tudo bem?!

   Hoje eu vim apresentar pra vocês ilustrações incríveis que conheci através do facebook que tem inspirado muita gente pelas redes. Já ouviram falar da Sahr? Hoje tem entrevista exclusiva com a ilustradora <3

   Antes de mais nada quero agradecer imensamente por ela ter cedido as imagens e topado fazer essa pequena entrevista pro blog. Foi um contato muito importante para mim e espero que tenha sido para ela também. Pequenas coisas geram incríveis aprendizados. Gratidão imensa mana! Esse contato me fez ver as ilustrações com mais profundidade e compaixão, eu espero que possa tocar todas as pessoas que visitam e seguem o blog da mesma forma que me tocou.

   Confesso pra vocês que não foi fácil escolher e selecionar um número "x" de imagens pra postar, porque todas são incríveis, a vontade é postar todas, mas vocês podem conhecer e seguir esse trabalho incrível pelo facebook clicando AQUI.


   A Sahr é a página oficial de ilustrações. É nesse endereço que passei pra vocês, da página no Facebook, que a autora posta seus desenhos bastante inusitados. Isso porque todos os desenhos não possuem cores, tendo sempre o fundo branco ou em um cinza bem claro com letras muito bem destacadas junto ao desenho de pessoas com faces/cabeças de cactos, geralmente na cor preta.

   Os desenhos costumam falar por si só, mas nada mais justo do que dar destaque a frases bastante positivas com incentivos e muita "lição de casa" (valem repetir na frente do espelho todos os dias!), né? Segundo a autora as ilustrações são feministas e devem ser consideradas como tal, dizendo ainda: "Eu acho que a gente precisa parar de ter medo da palavra “feminista”. Sou feminista sim e minha arte por consequência termina sendo". 

   De conteúdo empoderador, com muito amor e positividade, as ilustrações tem ajudado muita gente a ver o lado bom de alguns dias e situações difíceis que passamos, transmitindo maravilhosas mensagens pras manas sobre aceitação do próprio corpo, quebra de tabus sociais, relacionamentos, ansiedade, depressão e etc.



1 - Todo mundo deve querer saber quem está por trás dos desenhos e das publicações da página, né? Por isso, que tal falar um pouco como tudo isso nasceu e um pouco sobre você(s)? 

Eu sou horrível para falar de mim mesma, mas ok.  Sou de Brasília, mas as lembraças mais fortes que tenho da minha infância são em Curitiba. Sempre gostei muito de desenhar e minha familia sempre incentivou muito essa parte de mim, dos meus 7 aos 11 anos passava quase todo o tempo livre copiando desenhos de uns cadernos de ilustração ukiyo que meu tio tinha no apartamento dele, foi ele quem me deu meu primeiro escalimetro e foi ai que eu decidi que queria fazer isso para sempre, desenhar. Terminei estudando arquitetura e no caminho outras coisas como desenho gráfico e restauração, mas projetar que é bom... Nada.

2 -  Hoje em dia temos uma gama de ilustradores com desenhos e mensagens incríveis e empoderadas. Como você vê esse "movimento"?  É um alívio que tenham saído do papel e vindo a tona? 

Acho maravilhoso. A gente tá vivendo um período histórico tão estranho, sabe? Tanta coisa louca e sem precendentes que estamos vivenciando, ter gente produzindo coisas assim é lindo, ajuda a seguir respirando e buscando a saida dessa bagunça toda.

3 - Muitas das suas ilustrações possuem mensagens de empoderamento, mensagens sobre gratidão, felicidade, compaixão, compartilhamento, sentimentos e emoções, sobre corpo, ideias... Como você define os seus trabalhos e o que te levou a transmitir tais mensagens através de ilustrações? 

Eu acho que a única definição possivel é intimista, eu desenho coisas que passam ou ficam dando voltas na minha cabeça. Tudo que eu desenho sou eu, são coisas nas quais eu acredito.

4 - A pergunta que não quer calar: Por que optou em colocar cactos ao invés de faces em seus desenhos? Tem algum motivo especial? (Cuidado com as curiosas!!) 

Eu amo cactos, tinha um monte pela casa quando morava com minha mãe e nos momentos dificeis sempre repetia comigo 'seja forte como um cacto', não sei de onde tirei isso, mas sempre pensava nessa frase. Hoje em dia entendo que cactos são a materialização da palavra resiliência sabe? Os cactos conseguem sobreviver nas regiões mais inóspitas da terra e cada espécie evoluiu se adaptando as suas necessidades, existem dezenas de espécies diferentes, alguns tem espinhos chegando a medir quase 20 metros de altura enquanto outros não passam de 1 centímetro. Alguns tem flores, algumas delas comestíveis, outras não, mas no final são todos cactus.

São plantas muito interessantes e acho essa diversidade e capacidade de adaptação pra sobrevivência algo que a gente devia buscar e admirar na gente também.


5 - Seus desenhos são incríveis e eu particularmente gosto da jogada de cores (ou seria melhor dizer "a falta de cores"?) de preto e branco. São desenhos que acabam tendo um ar bem vintage, retrô, em que são inspiradas? 

Acho que nas ukiyo-e dos cadernos de quando era criança e por incrivel que pareça no ero guro, rs. Mas acho que a ausência de cor é algo meu, não consigo gostar de colorir.

6 - Você comentou no e-mail (quando entrei em contato com você para saber mais a respeito do seu trabalho e fazer essa pequena entrevista) que algumas pessoas não tem o hábito de pedir para expor o seu trabalho nas redes e isso parece te incomodar. Você acredita que isso prejudica o trabalho dos ilustradores, e se sim, de qual forma? 

Não sei se prejudica, mas eu sinto como uma falta de respeito. Eu tô sempre respondendo mensagens, falando como qualquer um que queira me perguntar ou contar algo, não vejo porque não enviar um “ei, tô publicando um negócio seu aqui”. Acho mais chato que qualquer outra coisa. Quando fazia quadrinhos encontrei uma entrevista que eu eu nunca tinha dado, sabe? haha

7 - O que te levou a publicar os desenhos nas redes?  E, o que te motiva a continuar fazendo?

Grupos de mulheres na internet, ver tanta mulher incrivel produzindo coisas lindas e com medo ou vergonha de publicar me fez ter vontade de dividir com elas o que eu tava fazendo e quem sabe ajudar alguém a criar coragem e fazer o mesmo no caminho.

8 - Você possui 54.992 seguidores (pra mais) só na página do facebook. Você acredita que a arte e particularmente as suas ilustrações podem tocar seus seguidores? E qual o seu objetivo com esse trabalho? Acredita que já o atingiu?

Eu acredito demais no poder da arte e eu acho que minhas escolhas na vida foram todas motivadas por influência dela, então acho que sempre espero que algo que eu crie faça alguém pensar pelo menos um pouquinho e sentir um pouco do que eu senti.


9 - Quando fazemos um trabalho que incentiva pessoas mostrando outras possibilidades e visões geramos bastante repercussão, principalmente nas redes, de críticas maldosas a criticas construtivas, apoio e relatos de pessoas que a gente ajudou de alguma forma. Você tem recebido muitas críticas pelo seu trabalho? Se sim, como você lida com elas? E em relação ao retorno positivo, você recebe muitas mensagens de apoio? Pode contar algum caso? 

Sempre tem critica negativa, né? Antes eu apagava tudo, até que percebi que o problema tá com quem decide gastar algo tão precioso quanto o tempo em escrever coisas negativas pra pessoas que nem conhece na internet, não sou eu o problema. Fazendo isso percebi que muitas vezes a própria pessoa ia lá e apagava. Felizmente sempre recebi uma quantidade muito maior de mensagens de apoio e de pessoas contando suas histórias, é um honra que alguém sinta que pode se abrir assim pela conexão que sentiu com algo que eu desenhei.

O caso mais marcante é de uma negativa, mas que me tocou muito. A pessoa em questão escrevei algo muito largo dizendo que eu romantizava coisas feias e fazia parecer bonito não estar bem, obviamente eu não fazia isso, mas vi como muito do que  eu dizia podia ser visto assim. Eu tava tirando coisas de dentro de mim, coisas que eu precisava expressar, mas não pensava muito em como isso chegaria em outras pessoas. Foi depois dessa critica que isso mudou e eu deixei de fazer quadrinhos porque não podia contar histórias de outra forma, porque eu sou uma pessoa depressiva, mas eu não queria romantizar isso. Ai vieram as ilustrações e essa tentantiva de dar força e dizer coisas positivas, é um esforço enorme pra mim e tudo que eu digo nas ilustrações eu tô dizendo pra mim também.

10 - Muitas vezes vemos um teor feminista em suas ilustrações, você considera o seu trabalho “feminista”? Se não, por que? 

Sim, óbvio. Eu acho que a gente precisa parar de ter medo da palavra “feminista”. Sou feminista sim e minha arte por consequência termina sendo.

11 - Você vende a sua arte? Se sim, como podemos contatá-la para isso? Onde podemos encontrá-la?

Eu vendo prints pessoalmente em feiras e eventos de arte e desenho gráfico aqui na Argentina (vivo aqui) e tô vendendo uma tiragem limitada de camisetas com a Sueka, mas tô buscando maneiras de viabilizar a venda de impressos no Brasil, tô buscando parcerias porque é bem complicado enviar daqui.


   Essa foi a entrevista com a Sahr e algumas ilustrações, espero que vocês tenham gostado e tirado muita coisa boa dos desenhos, das mensagens e da própria entrevista que pra mim foi simplesmente incrível. Comenta ai o que vocês acharam, se curtiram, se já conheciam ou não...

  Não esqueça de passar lá na fanpage e dar aquela like lindo <3. Beeeeeijo!!!

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4 Comentários

  1. Ameeeeiiii essa entrevista! Que coisa mais gostosa de se ler... Obrigada por este presente de fim de ano. Já conhecia o trabalho desta ilustradora e foi muito bacana sentir ela um pouco mais perto, como vc disse, conhecer a pessoa por trás dos desenhos.

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    Respostas
    1. Oi Alice!!!

      Muito bacana mesmo, deu um super "up" haha. Sejamos todas fortes como cactos!

      Beijão! <3

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  2. Respostas
    1. Olá Ana!

      As ilustrações são incríveis, eu tô adorando acompanhar hahaha. Obrigada pela visita! Beeeeeeeijo!

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