JOUT JOUT: O Livro das Crises

12:44


"[...] Me faltava queixo e autoestima, mas eu fazia qualquer pessoa que colasse ao meu lado morrer de rir." - JoutJout

 Quem nunca ouviu da youtuber Jout Jout? Julia Tolezano ficou mais conhecida como Jout Jout através de seu canal no Youtube. Através do canal, Julia conta situações já vividas e do seu dia a dia que são muitas vezes engraçadíssimas e no mínimo peculiares. Indo mais além de tudo isso, Julia ficou muito popular nas redes através do vídeo "Não tira o Batom Vermelho", onde coloca em pauta situações naturalizadas que a mulher passa dentro de um relacionamento abusivo, como ter que tirar o batom porque "está parecendo uma puta", que tem ajudado muitas garotas a se desvencilhar de relacionamentos que as prejudiquem fisicamente e emocionalmente/psicologicamente. Por conta dessa abordagem mais séria de forma mais casual e espontânea (bem própria da Ju) conquistou a Família JoutJout, como costuma nomear. De forma tão autêntica e espontânea, Jout Jout acabou chegando à nossa timeline e ganhando nossos corações.
 Com a fama nas redes, Julia recebeu a proposta de escrever um livro (já que segundo ela: "nada exclusiva", se referindo aos muitos youtubers que estão lançando livros), tínhamos então mais uma crise para as infinitas crises de Julia Tolezano, JoutJout: Tá Todo mundo Mal - O Livro das Crises. 
 Sem papas na língua, Jout Jout aborda a sexualidade feminina, tabus sociais, relacionamentos e outros, de forma carismática e prática, direta ao ponto. O livro conta com o prefácio de Caio Franco, namorado da Ju; Alceu Chiescrian Nunes no projeto gráfico, Bruno Romão na ilustração de capa, Beatriz Antunes na preparação e Renata Lopes Del Neto e Adriana Moreira Pedro na revisão, pela Editora Companhia das Letras.

  O livro é muito gostoso de ser lido; letras grandes, 200 páginas somando prefácio, introdução e índice, uma abordagem bem casual: leve, espontâneo, fluido e direto ao ponto, bem como a Jout Jout aborda os temas nos vídeos comumente. O livro traz crônicas que nos fazem refletir sobre o quão naturais são as crises cotidianas. Sempre tivemos crises e sempre teremos crises, independentemente da maturidade e/ou idade, seja uma crise catastrófica que dure anos, seja uma crise simples do dia a dia que dá para esquecer após passados minutos. O quão natural é estar em crise? A vida é um colecionar crises, reflexões e aprendizados.

"Todo e qualquer momento revolucionário que tenho na vida acontece nos lugares menos poéticos." 
— "A crise da liberdade tardia", pag 58.

    As crônicas que mais gostei são A crise da puberdade injusta, A crise de quando fui cadeira, A crise da paixão desagradável, A crise da ausência de talentos, A crise de não curtir o paraíso em paz,  A crise do escritório, A crise do medo da possibilidade de um estágio, A crise das marcas que não entendem, A crise de quando Caio sai, A crise de quando meu namorado não pegou sarna, A crise de influenciar demais e A crise das coisas que parecem certas na hora, sem um motivo aparente, e você acaba duvidando da validade delas por isso, e depois acha tranquilo, porque tudo bem; para não deixar a resenha tão cansativa (se já não está), vou falar um pouco sobre seis dessas crônicas que mais gostei para quem está curiosa/curioso com o primeiro livro da Jout Jout! (observação: a crise de escolher seis melhores).

A crise de quando fui cadeira
  Em "A crise de quando fui cadeira", Julia conta sobre um rapaz que conheceu e que quase não via, para dar a si mesma tal oportunidade armou toda uma festa dentro de casa para que ele pudesse ir. Em meio a encontros e desencontros pela própria casa, Julia aguardou o momento certo (ansiosa) para "trombar" o rapaz (observação: dentro da própria casa e na própria festa) para poder falar com ele. Eis que surge uma bela oportunidade quando ele sai de perto da galera para pegar uma cerveja e ela se lança até lá para "sem querer" esbarrar nele e puxar uma conversa, quando ele tira ela da frente para passar e pegar a cerveja. No mínimo cruel! De forma divertida e rindo da própria desgraça, Julia conta como foi a situação e como lidou com esse episódio no mínimo cômico. Foi "removida" do caminho do rapaz por ele como uma cadeira qualquer, como se fosse um objeto inanimado. Triste, verídico, real e para rir depois de anos.

A crise da ausência de talentos
  Em "A crise da ausência de talentos", Julia conta um pouco sobre a sensação de não saber para onde ir, o que buscar e como buscar. Aquela sensação de não ter talento algum para nada. Esse foi o mais complicado, na minha opinião, porque é uma realidade de muitas pessoas. Tanto eu quanto o meu namorado passamos por isso diariamente, queremos trabalhar com algo que gostamos, mas nem mesmo sabemos o que é e o destino não nos ajudou muito porque não temos nenhum talento tão grandioso assim. Essa crônica me fez refletir muito e foi a que mais gostei dentre todas as outras.

A crise do escritório/
A crise do medo da possibilidade de um estágio
  Em "A crise do escritório" e "A crise da possibilidade de um estágio", Julia conta algumas situações que vivenciou no trabalho/estágio. É também algo que sempre questiono e reflito e faz bastante conexão com a crônica que mencionei acima. Julia conta a agonia que é estar dentro de um escritório trabalhando o dia inteiro e ver pela janela aquele dia lindo sem poder apreciá-lo devidamente e o quanto isso é real e nos deixa mal. Esse é um problema que também tenho e que vive me atormentando (uma de tantas crises). E conta como foi a busca pelo "estágio desejado" que lhe valeu como experiência.

A crise das marcas que não entendem/
A crise de influenciar demais
  Em "A crise das marcas que não entendem" e "A crise de influenciar demais", Julia conta como está sendo a vida de youtuber. Ela diz que existe uma seletividade muito grande dela pelas marcas que entram em contato para patrocínio e/ou divulgação, já que muitas dessas marcas ignoram a abordagem do canal e querem somente vender. É na verdade uma bela crítica e é um dos meus medos quando se trata de exposição. Julia conta como lida com isso e como se sente diante disso tudo.

"Eu, sem querer, virei essa pessoa que dá o 'empurrãozinho' e essa é uma pressão que eu nem imaginava que teria quando liguei a câmera pela primeira vez. É essa pressão que faz com que as agências me considerem no plano fe marketing delas, porqur podemos encontrar meu nome anotado na lista de 'influenciadores'. Não somos mais youtubers, blogueiros, vlogueiros. Somos influenciadores." 
— "A crise de influenciar demais", pág. 180.

   Para quem não sabe, no canal da JoutJout, cujo link está aqui: JoutJout Prazer existe um vídeo chamado "TÁ TODO MUNDO MAL", é um dos primeiros vídeos da Ju que retratam bem a essência do livro, além de que o livro é uma extensão mais íntima e formal do canal no youtube.  

   É muito legal que a Ju tenha aceitado esse "desafio" e mais uma crise para chamar de sua, graças a isso podemos ter um pouco mais de JouJout, que vem nos mostrando que o lado positivo de toda essa coleção de crises que é a vida, que é além de tudo um aprendizado. Através de carisma e autenticidade ela nos dá algumas situações vividas por ela para que possamos entender que não somos só nós nesse mar de crises, mas que cada um de nós tem inúmeras delas, e que isso talvez nunca passe, podendo até piorar.
  Além de ser muito bacana compartilhar essa alegria com ela, — o lançamento da autora Julia Tolezano — o primeiro pensamento que tive quando vi o livro foi "nossa, essa capa é a cara dela!". Não podemos negar que Jout Jout é amor, tem falado de forma tão natural coisas que são sempre um grande "problema" para ser abordado e tem chegado a muitas pessoas de forma cativante para um "papinho" descontraído entre amigas. Li em dois dias, completamente animada com o sucesso e realização dela, além da admiração que só cresce.

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6 Comentários

  1. Oi Fanie!
    Nunca vi os vídeos dela, não tenho muita paciência para ver vídeos... mas gostei da sua resenha do livro, fiquei interessada nele!

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Sora! ^^
      Ela é muito engraçada e inteligente, vale muito a pena. Os vídeos são curtos, não tem enrolação.. Tira um dia para assistir, sei que você vai curtir muito!!
      Que bom que curtiu a resenha <3
      Boooooa leitura!
      Beijos.

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  2. Achei a resenha bastante interessante! :D
    beijinhos

    amarcadamarta.blogspot.com

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  3. Oi Fanie,

    Vc curtiu bastante o livro né, eu curti, mas prefiro ver os vídeos.
    Gostei da sua resenha, bem completa!
    Obrigada pela visita no blog, já estou seguindo aqui tb!

    Beijos Mila
    Daily of Books

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    Respostas
    1. Olá Camila, grata pela visita <3

      Sim, amei, representa bem a essência dos vídeos, achei muito bacana ^^
      Fico muito feliz que tenha gostado da resenha!!!
      Eu gosto dos vídeos também, ela é bem dinâmica né?! dá vontade ver um atrás do outro hahahaha!

      Beijo Camila!!

      Excluir

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