Estamos cansadas de interpretar papéis sensuais!

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"Eu não quero mais interpretar papeis sensuais. Estou cansada de ser conhecida como a garota do corpo..." 
— Marilyn Monroe

    Essa frase é do grande ícone dos 40's: Marilyn Monroe. Anos em que a mulher mais popular do cinema era atriz, branca, de corpo escultural e loira, porque "eles gostam mesmo é das loiras!".

    Marilyn era leitora nata, e não só, era sem sombra de dúvidas uma mulher de uma mente cheia de ideias. Foram seus relacionamentos conturbados que a levaram à depressão. Foi o início de uma carreira de sucesso, que a levou ao fundo do poço como atriz e como mulher. Marilyn sofria de depressão, segundo a mídia esse foi o seu fim, em uma cama de casal espaçosa, a porta fechada, um último telefonema e remédios, muitos remédios.

   O que levou Monroe ao suposto suicídio? Quem somos nós para questionar seus motivos, e indo mais além, quem somos nós para questionar sobre o que se passava na vida dela?

  Claramente Marilyn, uma celebridade que vivia rodeada de luxo, conforto, pretendentes, dinheiro, viagens, exibicionismo, estava diante de uma só questão: a infelicidade. É possível que a mídia tenha colocado sobre ela a realidade?

   Uma mulher aparentemente culta sendo tratada como um ícone sensual, sendo retratada e perseguida pela mídia o tempo inteiro para capturar qualquer pequeno deslize. atores e diretores que a rodeavam por conta de tamanha beleza e por seus mais variados trabalhos no meio artístico como atriz e cantora. Será que esse meio conturbado ajudou esse suicídio?

   Torna-se bastante claro quando analisamos a época em que ela vivia, onde a mulher não tinha muito espaço e o pouco espaço que conseguiam era totalmente televisivo, por vezes invasivo, onde a mulher precisava se expor, mostrar glamour e luxo, mostrar uma aparência esbelta, saudável, cabelos tingidos, esmaltes coloridos, olhos poderosos contornados por rímel, lápis preto e delineadores, somente para aumentar sua sensualidade, batons chamativos para atrair e instigar a sexualidade do público masculino; mulheres embonecadas de todas as formas, de todos os lados e por todos os péssimos motivos. O que se tornam essas mulheres, se não bonecas televisivas, que precisam se expor, que precisam estar impecáveis e mostrar uma vida sob uma ótica irreal, somente para atingir um nível comercial e para ganhar um mínimo espaço?

   Monroe era talentosíssima, tinha uma bela voz, tinha bom gosto, tinha uma boa aparência, opinião política e saudável (apesar da depressão não visível). Qualquer homem gostaria de estar ao lado dela, mesmo hoje em dia, mas quem diria, Monroe tinha uma coleção de decepções amorosas. O que esperavam dela, afinal de contas? Uma mulher adulta produzida, um verdadeiro símbolo sexual, uma sensualidade montada e a futilidade que acompanha as ideias sobre o que é ser mulher.

  Eu me pergunto, já sabendo a resposta, o que eles esperavam dela, mesmo depois de terem montado-a inteiramente? Esperavam uma Marilyn Monroe fútil que não falasse, que só cantasse. Esperavam uma mulher que mostrasse as pernas, os seios, o belo rosto maquiado e um cabelo louro platinado, somente uma produção, não o que era real.

   Esperavam uma mulher burra, que obedecesse ordens, que seguisse todas elas. Esperavam uma mulher controlada pelos poderosos e pela ignorância, a julgar pela ideia rasa de que ela não era nada além de um rosto e corpo bonito. Eles esperavam a Marilyn Monroe que cantasse repetidamente "diamonds are a girl's best friends", como se a única coisa que importasse em um relacionamento, seja que tipo de relacionamento for, se baseasse inteiramente em dinheiro, futilidade e interesses, o jogo de interesse começava por aqueles que investiam numa mulher midiática montada, eles queriam um ícone, eles queriam inteiro.

   É muito problemático que a mídia nos trate como bonecas moldáveis, que precisamos ser mantidas sobre futilidades, sobre aparências que não são nossas e que não representam nem a metade de nós.
Quando a mídia problematiza as conquistas do gênero feminino e as vê como simplistas, problemáticas, efusivas ou fúteis, é como se nós mulheres não precisássemos lutar por um objetivo em comum, por uma ideia, por uma vitória, por um espaço...

   Por que a luta feminina é tida com repulsa e com desconfiança? Por que nós precisamos ser silenciadas e agredidas? Por que precisamos ser as suicidas, as doentes, as problemáticas...? Por que cabe a mulher esse papel de submissão inconsciente, por que esse fardo cabe a nós? Isso tudo é real e não são e nem serão meros detalhes como a mídia e a sociedade em um geral gosta de ressaltar.

  Só cabe a nós lutar, pois somos todas Marilyn, criadas para a autodestruição e usadas para o benefício e entretenimento do macho. Não queremos mais papéis sensuais, não queremos ser símbolos, não queremos ser bonecas frágeis, não é isso o que somos.

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