50 tons de cinza vs. Ninfomaníaca

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   Fui assistir ao filme 50 tons de cinza nessa segunda-feira, com um pouco de ansiedade, já que não li nenhum dos livros por conta de uma lista extensa de leitura as quais estou intimamente envolvida. Para ter a minha posição a respeito do grande debate virtual sobre o filme que gerou repercussão em sua estréia a respeito do abuso e violência, entendi que deveria assistir e analisar os fatos. Sou feminista, hoje assumida, e posso dizer que muitas coisas não me descem e que é preciso analisar muito bem alguns casos antes de colocar a boca no trombone como alguns tem feito por ai. O filme deixou a desejar no quesito sexualidade, já que era o esperado por todos nós, faltou ação e sobrou romance, era de se esperar, obviamente, já que o intuito do livro é abordar o romance erótico, por não ter lido os livros não posso comparar um com o outro e tirar uma melhor conclusão sobre o que faltou. 

  O senhor Grey é o cara dos sonhos de muitas, felizmente para mim é preciso ter um "Q" a mais, então a minha excitação a respeito do personagem não foi além da aparência. Fútil? Bastante, mas nós vivemos de aparência, não é mesmo? A personagem Ana — como era de se esperar —, é o tipo de garota que vai se descobrir a partir do relacionamento com um homem, ótimo, nada incomum, mas de certa forma nos traz a sensação de que ela está demasiadamente submissa a tudo, principalmente em relação às suas vontades, até que ela se mostra mais firme, posso dizer que me surpreendeu um pouco, bem pouco. Nós, mulheres reais, esperamos mulheres de atitude em tudo, não digo que ser submissa em relação à sexualidade não possa acontecer, mas tudo precisa ser ponderado!

   Muita crítica foi lançada a respeito da prática sexual ser abusiva, tudo depende, o livro trata do BDSM, sempre com os contratos à mão, a conversa a respeito das vontades e daquilo que o outro acha coerente, não vi em nenhum momento qualquer tipo de abuso do masculino para com o feminino, até que analisando a fundo, quando descobrimos que o Sr. Grey começa a querer tomar o controle até mesmo das coisas pessoais da Ana, ai a coisa muda um pouco. Não sei dizer ao certo, como funcionam os acordos dentro das práticas do BDSM, por isso não sei até que ponto as coisas fluem. A grande questão a respeito dos "abusos" ao qual supostamente o filme faria uma "apologia", é que muitos viram somente que a mulher em sua submissão (por espontânea vontade) poderia então dar a sensação de que a mulher estar sob submissão levaria a uma grande massa a crer que tudo o que se passa no filme é aceitável e coerente. 

  Devemos tomar cuidado com a mídia? Isso é um fato! Porém, eu vejo da seguinte forma: acredito que é uma abertura para que mulheres tenham acesso mais fácil às práticas do BDSM que ainda é um tabu e um assunto cheios de superstições. Da mesma forma acredito que a leitura dos livros eróticos que hoje estão em alta, e são voltados ao público feminino estejam fazendo o mesmo papel, de abrir a mente dessas mulheres sobre as suas relações e até mesmo a sua própria sexualidade. Demorou muito para que nós tivéssemos o poder e liberdade de abrir um livro erótico em qualquer lugar. Um fato é que as regras das práticas são claras, é feito por espontânea vontade e sempre existiu, não foi a autora de 50 tons de inventou e não está voltado somente na submissão feminina!

   Concordando com um vídeo que assisti que faz crítica ao filme, voltando-se ao conteúdo explorado pelo diretor, acredito que Lars von Trier conseguiria expor mais essa ideia. Para quem não sabe, Trier é o diretor — tão criticado — de Ninfomaníaca. A comparar os dois filmes nós entendemos o motivo de Trier ter sido tão criticado, não somente pelo filme em seu todo mas exclusivamente à exposição da sexualidade da mulher. São filmes bem diferentes e que podem se complementar quando se diz respeito a toda essa confusão sobre as práticas de BDSM estarem fazendo apologias. Enquanto 50 tons mostra um romance erótico em todo o contexto Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo (BDSM), Ninfomaníaca explora a sexualidade da mulher em evidência, já que desde sempre fomos privadas de conhecer nosso sexo. 

   O que me pergunto é se realmente a mulher, não está tão bem representada com essa liberdade de poder ver filmes destes níveis sem ser julgada ou mesmo ler livros eróticos sem que se sinta desconfortável com diálogos mais eróticos. Acredito que toda essa questão vem mostrando o nosso espaço sexual em evidência para a sociedade, já que até então a mídia era cercada de conteúdo pornográfico e erótico em evidência totalmente direcionado ao homem. Será que não vale uma reflexão sobre o que é que está sendo exposto a nós, a informação que nós temos a respeito das opções que temos? Vejo toda essa "modernidade" representar a minha sexualidade feminina que tanto foi tabu e ainda o é, acho que isso mostra algumas barreiras sendo derrubadas. Acredito que nenhuma mulher pode ser maltratada se ela souber como seu corpo funciona e ter domínio sobre ele.


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