ABORTO: Para eles um incômodo! E para elas?

09:50


A cada dois dias, uma brasileira (pobre) morre por aborto inseguro, um problema de saúde pública ligado à criminalização da interrupção da gravidez e à violação dos direitos da mulher!


  Com o crescimento da mídia, inúmeras informações sobre os direitos da mulher e principalmente a legalização e descriminalização do aborto estão em pauta atualmente. Para eles a gravidez indesejada é um incômodo tanto quanto o aborto, e para nós? O quão incômodo é ver mulheres morrendo e não poder ao menos acolher? Essa é a grande questão que por vezes não entra em debate. Vamos pensar de forma lógica, a gravidez em caso de estupro pode ser interrompida, mas, não seria uma vida? E as milhares de mulheres que morrem por aborto clandestino que são "enterradas" embaixo do tapete e são ignoradas? Não eram vidas? Independente do motivo de cada uma de nós, é preciso legalizar para que mulheres não morram e possam ser amparadas por médicos éticos que acolham essa mulheres e não denunciem!

   É preciso que a sociedade entenda que independente do caso, ninguém é obrigado a gerar um filho, quando isso é sobre as contas daquela pessoa e ninguém mais vai ajudar. O aborto já acontece debaixo de nossos narizes e as pessoas teimam, literalmente, e ignoram os fatos por questões pessoais religiosas como se isso englobasse a todos nós, o que é utópico, já que estamos em um país que deveria ser inteiramente laico!

"Uma mulher que estiver passando pelo desespero de uma gravidez indesejada vai colocar sua vida em risco porque o Estado não nos dá o direito de escolher legalmente o que queremos, então burlamos a lei. Não dá nem pra dizer que quem tem grana sempre vai na clínica limpinha, olha o que aconteceu com a Jandira.  Ela pagou quatro mil e quinhentos reais e morreu. Imagina o que acontece com quem não tem nenhum dinheiro. Com as mulheres negras, pobres, da periferia. [...] A sua opinião pessoal sobre aborto não importa. As mulheres vão continuar abortando e correndo risco de vida enquanto não for legal e seguro. Não é possível que seja tão difícil de entender." — http://www.cartacapital.com.br/

   Em meio a diversos debates e argumentos sem quaisquer estudos dos fatos são bombardeados em redes sociais e não só, a respeito da "vida", debates esses que muitas vezes são levados como verdades absolutas e incontestáveis que não dão a chance de argumentação e nem mesmo de reflexão sobre os fatos, porque esse problema de saúde pública, — porque é questão de saúde pública sim! — é um fato! Nós não podemos varrer isso para d'baixo do tapete e esquecer que a vida que tanto protegem, biologicamente falando, ainda nem é uma vida em sua ideia concreta.

   Eu me pergunto, diante de argumentos como estes de que o aborto sendo legalizado e descriminado será mais uma forma contraceptiva, será que toda mulher vai de fato querer abortar simplesmente por abortar como um método contraceptivo diante de todo esse sofrimento de uma falta de planejamento, um estupro e etc.? Será que essa mulher não está sofrendo o suficiente para decidir que uma "operação" de risco é o melhor nesse caso? Acontece que as pessoas idealizam situações sem qualquer reflexão saudável sobre o tema e dessa forma criam suas verdades incontestáveis para "rebater" opiniões verdadeiramente críticas a respeito dos fatos, quando a questão não é "rebater", mas abrir-se ao acolhimento de pessoas, isso é humanismo ou Ser humano! Vamos aprender a julgar menos e a amar e acolher mais.

"Nós como médicos não "induzimos" a paciente à interrupção, é sempre uma escolha dela. É ela que vai até o poder judiciário, com um laudo nosso, só explicando que a gravidez não tem prognóstico, então ela se dirige ao juiz e pede para que essa gestação possa ser interrompida. A gente acata um desejo da mulher, um desejo do casal, mas, basicamente da mulher. Então do ponto de vista ético, eu tenho tranquilidade e segurança para saber que eu estou fazendo o melhor para ela (mulher), tenho certeza disso." 
— (A.H.F) O Aborto dos Outros


"A gente calcula que aproximadamente 70 mil mulheres morram por ano em função do abortamento inseguro, 95% desses abortamentos inseguros estão sendo feitos em hospitais sem desenvolvimento. Se esse é um problema pública para o mundo todo, evidentemente é, mas ele tem sido muito mais grave e tem sido muito mais pesado sobre os ombros das mulheres dos países em desenvolvimento que, por sua vez, em geral mantém leis restritivas e proibitivas com relação ao abortamento." — (A.H.F) O Aborto dos Outros

    Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 1 mulher morre a cada 2 dias devido a abortos inseguros no Brasil. Quem são essas mulheres? Mulheres pobres que não tem dinheiro para pagar clínicas conceituadas e manter sigilo. Crer que o aborto deve ser criminalizado é um erro, é impedir o progresso feminino à suas próprias escolhas e portanto a liberdade sobre sua sexualidade e seu corpo. Vejo muitas pessoas, principalmente homens, debatendo sobre a mentira do feminismo (ou "feminazi" como eles chamam) ser uma mentira ou uma utopia, dizem que o feminismo é uma ideia radical sexista sem qualquer fundamento ou objetivo porque o machismo não existe, a violência e violação da mulher é mentira.

  Eu gostaria de ressaltar, sabendo desse tipo de argumento inválido e egoico, que se não existisse machismo e suas séries de violações e violências contra a mulher, por que o aborto é criminalizado? Por que a mulher não pode decidir por si mesma levar ou interromper a gravidez? Essa privação só mostra o quão violentadas somos socialmente por uma ideologia que mata sim, e mata todos os dias!

“O Estatuto do Nascituro trata a mulher como um detalhe. Deveria substituir a palavra ‘mulher’ por ‘receptáculo de esperma humano’. Se for aprovado, o Brasil será o país mais atrasado, conservador e limitado no mundo em direitos reprodutivos. A pergunta não deveria ser ‘quem é contra o aborto’ mas se a mulher que provoca o aborto nestas condições de total abandono social deveria ser presa. Ninguém é a favor do aborto."

"Se nós 'descriminalizarmos' o abortamento não significa que nós estaríamos abandonando o enfrentamento da questão do abortamento! Nós simplesmente estaríamos tirando direito penal do âmbito do enfrentamento desse problema, ou seja, passaríamos esse problema para uma outra área de enfrentamento, e ai nós teríamos que combater o abortamento nesse sentido, de ser um problema de saúde pública!" 
Dr. José Henrique Torres (Juiz titular da Vara de Campinas).


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